sábado, novembro 11, 2006

Aprendendo a comer com os porcos

É tolice tentar explicar Beethoven a um surdo!
engolirei minhas emoções, se entalar, eu cuspo
me desgasta a necessidade de abstrações
sufoco-me com minha própria decepção...
o que se faz com a vergonha de apenas tentar expressar ilusões?
frustração... sim! frustração! ampla! em todos os sentidos dessa desagradável sensação.
a imundisse da hipocrisia que me enoja, agora... tornou-se banal
tal qual só gera à mim agora, indiferenças...
cercada de fatos idiotas, a insaciável raiva que sinto, está a devorar minhas entranhas
a cada gesto, cada palavra, pensamento, sentimento
a cada raciocínio que se torna lógica... o que se faz!?
permitirei que a sujeira cresça no meu quintal, também?
aprenderei a bela arte da estupidez?
receio que não... caráter grita mais alto!

dane-se o tal do orgulho
dane-se a sublimação
dane-se a quieta paixão!

pagarei esse preço, então...
repúdio=defesa
e a solidão que me proteja!

e eu tinha em mente tantas coisas bonitas pra dizer...

Camila (Piu)
www.dolencias.blogger.com.br

terça-feira, novembro 07, 2006

Àquela sempre presente...


Companheira mensal e não deveras desejada, saiba que me deixas à flor da pele quando resolves visitar-me.
Meus nervos não podem se conter dentro do meu corpo e, sem as devidas dimensões dos meus atos, decido atacar meu companheiro com rajadas de falta de educação. A irmã nem sequer pode voltar seu olhar à mim, pois imediatamente lanço a ela um tôm irônico e assim firma-se a briga.
À televisão, parafraseio Zeca Baleiro - qualquer beijo de novela me faz chorar-, enquanto isso, na cozinha, muitos bombons aguardam ansiosamente a minha chegada.
Não posso olhar-me ao espelho, sinto-me e vejo-me inchada, 30 kilos mais alentada do que de costume, quando eu antes ja me achava muito acima do peso ideal. Como se não bastasse, fico altamente dolorida.
Creio que ja tenhas a dimensão do furor que me causa a sua visita, sendo assim, peço que não me tomes mal, mas desejo que vá-te embora.

(À TPM)

O texto é meu! (Denise)

segunda-feira, novembro 06, 2006

Volúpia


"No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos

Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças..."


Florbela Espanca.

Imagem: The Particle Tarot - Lovers -, Dave McKean
www.dreamline.nu

quarta-feira, novembro 01, 2006

Plenitude



Certamente, em palavras,
É difícil enaltecer um sentimento que nos consome.
Enfatizo porém, que a realidade
Não mais que a verdade se encerra,
talvez, num beijo.
E todas as tolices que cometemos,
Pelo simples ato tolo,
É assim, justificada de uma forma rica de sentimentos.
É certo dizer que tudo vale a pena
Quando certamente estamos felizes ao lado do outro...
É isso que nos fortalece, enriquece e enobrece.
Todo esse ardor de emoções que ao eclodirem,
Intensificam a verdade da vida.
Toda essa conspiração de titãs
Que insistem em perdurar as muralhas que nos envolve.
Porém, mais intenso que tudo isso
É essa palpitação do coração que nos assume em plenitude,
Nos desnorteia em atitude, nos cabula.
E assim, a insanidade se faz,
A felicidade capaz
Num momento voraz e intenso.
Eternize
Poesia de: Rogério (Ragro, ou Cidão! hehehe)
A imagem em exibição é: Roda da Fortuna (Wheel of Fortune)
Tirada do "The Particle Tarot", do artista Dave McKean