sexta-feira, novembro 23, 2007

Geração Zero


Bem. Têm vindo à tona em certas conversas "etílicas" com amigos meus, um termo que eu mesmo cunhei de pronto, do alto das minhas crises de Criticisite Aguda (nada mais que a conhecida Síndrome do Crítico), o qual chamo Geração Zero, para descrever esse período que estamos vivendo.
Passei a pensar mais atentamente nisso um dia desses que estava no supermercado comprando víveres. Cheguei a ficar incomodado tamanha quantidade de produtos que traziam na embalagem a advertência "zero gordura", "zero açúcar", zero isso ou zero aquilo. Cheguei a me perguntar se havia algo dentro daquelas embalagens.
Assustado pensei: "daqui a pouco irão criar produtos com 'zero ar'". Só então, mais assustado ainda, atentei para o fato que esses tais produtos já existem, são as bexigas dessas de encher.Isso ficou desde esse dia me intrigando e vez por outra me peguei pensando nisso ou discutindo minhas impressões com amigos. Acompanhe meu raciocínio e veja se é ou não é pra ficar intrigado:A geração dos anos 50 ficou conhecida como a geração dos "anos dourados", a dos 70 como a greação dos "anos de chumbo", os anos 80 nos deram a "geração Coca-Cola". Esta que aí está pode-se chamar de "geração Coca-Cola Zero"(!).
Percebem como as coisas foram grotescamente se diluindo até ficarem assim inertes como estão? O zero representa - a meu ver - o nada, completa ausência de unidades, valores, emoções, gravidade... O zero é visualmente vazio.
Sou da geração oitenta. Apesar de ter tido minhas melhores experiências nos anos 90 (incluindo aí todas as situações foda e fodas situacionais) foram os "oitenta" que lapidaram minha índole e me tornaram um cara apto a encarar os anos noventa como toda informação que eles trariam.
Voltando um pouco mais no tempo, tivemos de engolir uma ditadura nos anos 60, e nem bem essa década tinha terminado o AI-5 amordaçou nossas bocas e aquele abacaxi verde-oliva com gosto de sola de coturno desceu goela abaixo. Os anos 80 viram crescer uma geração que era ávida por informação, novidades. Daí estarmos de braços abertos e preparados para segurar o que quer que caísse em nosso colo. Saca só o que caiu em cima da minha geração na virada dessas duas décadas: AIDS, queda do muro de Berlim e fim do comunismo, Saddan Hussein e Bush pai brincando de Atari no Iraque, eleição do Collor, impeachment do Collor, compact disc, internet, icq...
E a gente tirou isso de letra como aquele menino fazendo malabarismo com laranjas no semáforo. Aí agora, vêm uma geração que tem toda a liberdade do mundo pra correr atrás da informação, pensar, mastigar tudo, e essa rapaziada fica imersa em tanto superficialismo?! Soa até estranho isso que eu disse pois não dá nem pra ficar imerso em superficialismo, é o mesmo que imaginar alguém nadando em dez centímetros de água.
Mea-culpa, admito que essa geração atual foi mal treinada (culpa dos vídeo games), pois foi uma geração incitada a "zerar" (de zerar o jogo, finalizar, etc). Treinados para chegarem ao objetivo final do jogo que era simplesmente "zerar".
Vivemos assolados pela ditadura do zero e em toda parte ele está. Até a banda mais popular do Brasil nesses dias se chama NXZero.
Acho que está na hora dessa moçada dar um passo (ou dez) adiante e sair desse zero em que está parada. É hora de pensar, repensar, fazer, lutar, incomodar, falar, perguntar, encher o saco, encarar um livro, passar o livro adiante, protestar... Enfim, deixar de "zerar".
Agradeço a essa força motora superior (a quem a maioria chama Deus) por não ter deixado a humanidade debaixo dos parâmetros da filosofia do "zero açúcar" há mais tempo. Do contrário não haveria uma casa de doces para a bruxa encarcerar Joãozinho e Maria, eu não teria assistido La Dolce Vita (A Doce Vida), Willy Wonka seria só um mendigo excêntrico sem sua fantástica fábrica de chocolates, e por aí vai...


*Texto por Edgard Maeta, amigo APFiano (Notívago, poeta e visionário de bar) em Outubro de 2007*

terça-feira, novembro 20, 2007

Roupa nova!


- Aeeee!

- Sejam bem vindos!

- Até que enfim mudei o template do blog, tava precisando!
- O blog fez 1 ano ha pouco, ja era hora de renovar!

- Eu que fiiiizzz! Me superei! (não tinha idéia de como fazer isso, mas o mundo anda tão moderno!!!)

- Atenção para a foto que fica no final da página! Hohoho

- E é isso aí!

- Visual novo, textos com uma nova perspectiva, de uma nova pessoa, em um mundo novo, vivendo coisas novas!

- Espero que continuem lendo (as raras pessoas que visitam essa bodega!)


= And if I go insane, don't put your wires in my brain!!! =


*Denise*

terça-feira, novembro 13, 2007

Hora do banho


Choveu muito hoje, e quando chove muito não se pode fazer as mesmas coisas que se faz nos dias de sol pleno.
Choveu muito hoje enquanto esperava a aula na cantina da faculdade, e então me atrasei, porque não dava pra eu sair naquela chuva forte.
Quando chove assim eu penso em tantas muitas coisas!!!
Penso nas pessoas que estavam andando na rua, naquelas que não fecharam as janelas, nas que precisam sair de casa e não tem carro, nas que podem dormir o dia todo...
A gente perde um pouco a liberdade quando chove! Pedimos chuva o ano todo, e quando atendem nossas preces, queremos que passe logo.
Ah se a gente pudesse todos os dias se molhar na chuva sem pensar nas consequências!

[Há quem diga que não gosta de banho de chuva, o que particularmente me espanta!
Esses dias mesmo eu tomei um mega banho de chuva, e fiz melhor: beijei na chuva! Quem aí nunca beijou na chuva? é muito bom!!!]

Mas temos um álibi: não gostamos de ser livres mesmo! (como na fábula da raposa e das uvas).
E é por isso que todos os dias eu tomo banho de chuva: fecho os olhos quando entro embaixo do chuveiro.


*Denise*